Imagine entrar em um restaurante com uma placa orgulhosamente exibindo “Desde 1970”. A primeira reação pode ser de admiração: “Esse empreendedor sobreviveu!”. Afinal, 80% das empresas fecham antes de completar 10 anos. No entanto, como comentou Flávio Augusto da Silva em uma de suas palestras, surge a pergunta: por que, em mais de 50 anos, esse restaurante não se transformou em uma rede, uma franquia ou uma marca regional? Será que esse empresário apenas sobreviveu sem nunca realmente crescer?
Flávio Augusto destaca algo crucial: ter coragem para começar não é suficiente; é preciso ter coragem para crescer. Muitos empreendedores sobrevivem, mas não evoluem. Eles permanecem atolados no mesmo lugar, ano após ano, presos em um ciclo que chamam de trabalho, mas que, na prática, se tornou uma prisão.
Eu concordo plenamente com essa visão. Muitos não são empresários de verdade. Eles têm apenas um autoemprego e, por falta de visão, esforço ou estratégia, acabam estagnados, vivendo uma rotina cansativa e improdutiva.
Por que isso acontece?
Empreender é um ato de coragem. Sair do emprego estável, enfrentar a burocracia e lidar com as incertezas do mercado exige audácia. Porém, transformar um negócio em uma empresa sustentável e escalável vai muito além disso. É preciso ter mentalidade de crescimento. É preciso aprender a delegar, liderar e enxergar o longo prazo.
Muitos empreendedores se limitam ao operacional. Estão sempre “apagando incêndios”. Não conseguem planejar, porque o tempo é consumido por problemas que poderiam ser evitados. Trabalham mais do que gostariam e ainda culpam o governo, o mercado ou a equipe pelos seus desafios. Mas a verdade é simples: o principal culpado é o próprio empreendedor, que não assume autorresponsabilidade.
Como disse Flávio Augusto: “O comum é se acomodar. A coragem inicial não basta; é preciso coragem contínua para crescer.” O verdadeiro empresário não para no platô. Ele busca o próximo nível.
O acomodado versus o visionário
Há uma diferença clara entre o empreendedor acomodado e o empresário visionário:
- O acomodado vê o negócio como um emprego. Ele trabalha apenas para pagar as contas. Evita riscos. Não busca aprender mais. Fica preso na zona de conforto.
- O visionário pensa no longo prazo. Ele enxerga o negócio como uma plataforma de crescimento. Quer criar impacto. Quer construir um legado. Ele não aceita ficar parado.
Essa diferença está na mentalidade. O acomodado acredita que o sucesso inicial é suficiente. Ele não investe em si mesmo. Não busca ambientes que o desafiem. Ele prefere a mediocridade confortável à evolução desafiadora.
A miopia do empreendedor
Theodore Levitt, no artigo clássico “Miopia em Marketing”, destacou como empresas falham ao focar apenas no produto e não no valor que oferecem. A mesma miopia afeta muitos empreendedores. Eles não enxergam além do trabalho diário. Não veem o potencial de sua empresa.
Esses empreendedores míopes ignoram oportunidades de expansão, inovação e liderança. Vivem no modo de sobrevivência, mas esquecem que crescer não é vaidade; é estratégia de sobrevivência. Empresas que não crescem são engolidas pelo mercado.
Um empresário visionário entende que a empresa é o maior projeto social do mundo. Ela gera empregos, transforma vidas e cria soluções. Para alcançar esse potencial, é preciso sair da miopia e adotar uma estratégia de crescimento.
O caminho para a transformação
Se você se identificou com o perfil do empreendedor atolado no operacional, a boa notícia é que existe uma saída. A transformação começa com cinco passos fundamentais:
- Autorresponsabilidade: Aceite que o crescimento da sua empresa depende exclusivamente de você. Pare de culpar o mercado, a equipe ou o governo. Pergunte-se: “O que eu estou fazendo ou deixando de fazer para alcançar os resultados que desejo?”Lembre-se: A empresa é um reflexo do dono.
- Investimento em aprendizado: O mercado muda rapidamente. Você precisa mudar também. Participe de cursos, leia livros, invista em mentorias. Um empresário que não aprende é um empresário que não cresce.Empresários de sucesso são eternos aprendizes.
- Ambiente certo: O ambiente em que você está é determinante para sua evolução. Estar cercado de empresários que compartilham uma mentalidade de crescimento, que desafiam suas ideias e o incentivam a pensar maior, faz toda a diferença. Um grupo alinhado a seus valores e metas pode ser o impulso que faltava para desbloquear seu próximo nível.O ambiente pode ser seu maior aliado ou seu maior inimigo.
- Mentalidade de crescimento: Saia da zona de conforto. Defina metas ambiciosas e busque alcançá-las. Pare de pensar pequeno e comece a agir grande.O bom é inimigo do ótimo.
- Delegação e liderança: Construa uma equipe forte e confie nela. Seu papel não é executar tudo, mas liderar. Deixe o operacional para quem você treinou e foque no estratégico.Empresas sólidas têm líderes estratégicos, não executores operacionais.
A força do ambiente: a chave para o crescimento
Entre todos esses passos, o ambiente se destaca como um fator transformador. Eleva seus padrões. Desafia suas crenças limitantes. Inspira você a buscar o que parecia impossível.
Empreendedores que se isolam acabam repetindo os mesmos erros e enfrentando os mesmos problemas. Participar de um grupo de empresários que compartilham a mesma ambição de crescimento traz novas perspectivas, ideias e oportunidades. Mais do que networking, é sobre criar conexões que ampliam sua visão e sua capacidade de agir.
Quando você está no ambiente certo, o crescimento deixa de ser uma opção e se torna uma consequência natural.
Conclusão: o convite à ação
O ambiente certo é o catalisador para o crescimento. Empreendedores acomodados permanecem atolados nos mesmos problemas porque se recusam a mudar de mentalidade. Empresários visionários buscam ambientes que os desafiem e que ampliem suas possibilidades.
A escolha é sua: continuar no mesmo ciclo de estagnação ou dar o próximo passo rumo ao crescimento?
Como disse Flávio Augusto, coragem para começar não basta. É preciso coragem para crescer. E o momento de agir é agora.